Panorama Imobiliário: O Desempenho das Principais Cidades Portuguesas
2/20/2026


O mercado imobiliário em Portugal registou uma subida generalizada de preços no último ano. Os dados referentes ao trimestre de novembro de 2025 a janeiro de 2026, quando comparados com o período homólogo, revelam aumentos significativos em vários concelhos, chegando a atingir os 30% em algumas regiões. Este cenário é impulsionado por uma procura que cresce a um ritmo superior ao da oferta, influenciada pela redução das taxas de juro no crédito à habitação e por incentivos ao acesso à habitação para jovens.
Uma tendência observada é a redução da área média dos apartamentos transacionados. Esta diminuição das áreas permite que o preço global do imóvel se torne mais acessível, facilitando a aceitação pelo mercado. Paralelamente, o poder de negociação dos proprietários mantém-se elevado, com as margens de desconto a diminuírem em diversas localidades.
Análise por Concelho
Lisboa: A transação média fixou-se em 479.500 €, um aumento de 4%. O preço por metro quadrado subiu 13%, situando-se nos 5.550 €, valor influenciado pela redução da área média dos imóveis para 88 m².
Porto: O mercado apresenta-se equilibrado e com crescimento saudável. O preço médio unitário subiu 11%, atingindo os 3.950 €/m². A venda média subiu para 307.000 €, com forte presença de procura internacional e local.
Faro: Destaca--se como um dos concelhos com maior crescimento. O preço médio unitário subiu 32%, fixando-se nos 3.750 €/m². O preço médio de venda atingiu os 336.500 €, com o desconto na negociação a situar-se em apenas 3%.
Braga: Mantém-se como um mercado estável, com um crescimento de 9% no preço unitário (2.500 €/m²). O preço médio de venda foi de 244.500 €, mantendo áreas brutas privativas constantes.
Viseu: Registou uma subida expressiva de 30% no preço unitário (2.150 €/m²). No entanto, a área média dos apartamentos vendidos reduziu-se para 110 m².
Coimbra: O preço médio unitário subiu para 2.850 €/m². O valor médio de venda fixou-se em 246.000 €, apesar da redução de 9% na área média transacionada.
Évora: Apresentou uma transação média de 236.000 €. O preço unitário subiu 14%, situando-se nos 2.450 €/m², num mercado que viu a área média dos imóveis aumentar para 97 m².
Custos de Construção e Indicadores Financeiros
O setor da construção também enfrenta desafios, com uma subida de 4% nos custos. Este aumento é impulsionado sobretudo pela mão de obra, que encareceu 7,7%, enquanto os materiais subiram 0,8%. Estes valores sugerem que a habitação nova poderá continuar a registar preços elevados.
No plano financeiro, a Euribor a 12 meses desceu para 2,2%, trazendo maior previsibilidade para quem recorre ao financiamento. A inflação europeia também recuou, situando-se em 1,7%, abaixo da meta dos 2%.
As decisões recentes do Banco Central Europeu de manter as taxas diretoras indicam um período de estabilidade. Historicamente, a manutenção destas taxas favorece uma valorização gradual do mercado imobiliário, proporcionando um ambiente mais confortável tanto para compradores de habitação própria como para investidores.
