Preços das moradias em Portugal: o que mudou entre 2025 e 2026
5/29/2026
A análise dos dados do mercado imobiliário de Portugal continental relativos aos meses de fevereiro, março e abril de 2026, em comparação com o mesmo período de 2025, revela um cenário dinâmico e heterogéneo. O comportamento dos preços, das áreas e das negociações varia significativamente consoante a localização geográfica, mostrando um dinamismo mais acentuado nas regiões norte e centro do que no sul do país.
Análise Regional do Mercado de Moradias
O mercado de moradias caracteriza-se por ser consolidado e menos homogéneo do que o de apartamentos, devido à menor incidência de projetos de grande dimensão em altura nos principais centros urbanos.
Lisboa: Continua a ser o concelho mais caro do país. O preço por metro quadrado subiu 3%, passando de 5.150 € para 5.300 €. A moradia média vendida manteve o preço praticamente estável (passando de 888.500 € para 890.000 €), acompanhando uma ligeira redução na área média transacionada de 183 m² para 179 m². O desconto médio na negociação desceu de 9% para 7%.
Porto: Registou um crescimento expressivo. O preço por metro quadrado aumentou 24%, subindo de 2.750 € para 3.400 €, mantendo-se a área média nos 170 m². O preço médio de venda de uma moradia subiu 44%, passando de 403.500 € para 579.500 €.
Braga: O preço por metro quadrado valorizou 20%, subindo de 1.750 € para 2.100 €. O preço médio de venda aumentou 11% (de 319.000 € para 355.000 €), enquanto a área média vendida diminuiu 7% e o desconto médio fixou-se em 6%.
Faro: Apresentou uma dinâmica diferente, com o preço por metro quadrado a registar uma ligeira descida de 2.300 € para 2.250 €. Contudo, a área média vendida subiu 34% (para 176 m²), o que elevou o preço médio da moradia transacionada de 269.000 € para 355.000 €. O desconto médio na negociação subiu de 4% para 9%.
Viseu: O preço por metro quadrado subiu 18%, atingindo os 1.300 €. O valor médio da moradia vendida subiu 40% para 231.500 €, impulsionado pelo aumento da área média transacionada, que passou de 173 m² para 192 m². O desconto médio situou-se nos 6%.
Coimbra: O preço por metro quadrado cresceu 16%, subindo de 1.550 € para 1.800 €. A área bruta privativa aumentou de 135 m² para 150 m², e o preço médio de venda subiu 34%, atingindo os 258.500 €. O desconto médio estabilizou nos 7%.
Évora: Revelou estabilidade. O preço por metro quadrado variou 2%, passando de 2.200 € para 2.250 €. A área média transacionada diminuiu 12% (de 122 m² para 107 m²), refletindo-se na descida do preço médio de venda de 256.500 € para 233.500 €. O desconto médio aumentou para 8%.
Indicadores do Setor da Habitação e Construção
No âmbito financeiro e regulatório, o setor habitacional registou os seguintes indicadores:
Crédito: A Taxa Anual de Encargos Efetivos Globais (TAEG) da habitação desceu 25 pontos base, fixando-se em 4,8%.
Construção: Os custos de nova construção aumentaram 5,8%, impulsionados pela subida de 8,2% no custo da mão de obra e de 3.7% nos materiais.
Transações: O quarto trimestre de 2025 encerrou com 43.084 transações imobiliárias, representando uma quebra de 4,7% face às 45.214 transações registadas no mesmo período de 2024.
Enquadramento Macroeconómico e Financeiro
O comportamento do mercado é influenciado por fatores económicos globais de 2025 para 2026:
Euribor e Inflação: A taxa Euribor a 12 meses subiu de 2% para 2,8% (mais 80 pontos base). A inflação europeia também registou um acréscimo de 80 pontos base, situando-se em 3%.
Títulos do Tesouro: A taxa de juro das obrigações do tesouro português a 10 anos fixou-se em 3,4%, face aos 3% registados anteriormente.
Matérias-Primas: O ouro registou uma valorização de 39%, subindo de 3.300 $ para 4.630 $ por onça. O petróleo bruto aumentou 81%, passando de 61 $ para 110,10 $ por barril.
Novas Medidas Legislativas de Incentivo
A 20 de maio de 2026 foi publicado um novo decreto-lei que introduz incentivos à construção e à habitação. Entre as medidas estruturadas, destaca-se a redução da taxa de tributação autónoma em sede de IRS para contratos de arrendamento, que desce de 25% para 10%. Como exemplo prático, num contrato de 3 anos com uma renda mensal de 1.500 €, a poupança fiscal acumulada totaliza 8.100 €. O pacote legislativo engloba ainda a redução da taxa de IVA para a construção para o patamar dos 6%.
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